A posição da Amnistia Internacional sobre o conflito Gaza/Israel


No passado dia 1 de Agosto, no Porto, membros do grupo local 6 participaram numa manifestação em solidariedade para com as vítimas da mais recente ofensiva militar de Israel sobre Gaza. Esta foi uma iniciativa do grupo Ação Palestina, com o objetivo de alertar em relação ao elevado número de vítimas que esta ofensiva militar tem tido entre a população de Gaza. Assim, várias pessoas juntaram-se na Rotunda da Boavista e deram início a uma marcha que seguiu até à Câmara de Comércio Luso-Israel, onde foi feita uma simulação de um ataque em Gaza. Os membros do grupo da AI que participaram, fizeram-no por iniciativa própria, como cidadãos, não tendo sido uma ação do grupo, nem tendo entrado em conflito com a posição da AI sobre esta questão. 

No entanto, a questão Israel/Palestina tem sido um assunto tratado pela Amnistia Internacional com imenso zelo ao longo dos anos e, face aos últimos acontecimentos, têm surgido dúvidas e até mesmo críticas sobre e posição da AI neste caso.

Neste sentido, a sede da Amnistia Internacional lançou um vídeo que responde a algumas dessas dúvidas através de uma entrevista em modo de pergunta/resposta. O vídeo pretende ser, simultaneamente, esclarecedor e uma ação ativista. 

Veja aqui o vídeo em inglês e e a sua tradução a seguir:




Gaza, as respostas às suas perguntas

       Porque é que a Amnistia Internacional não condenou as autoridades israelitas?
RESPOSTA: A Amnistia Internacional condena as autoridades israelitas pela ofensiva em Gaza, que não protege os civis. A AI acusa Israel de crimes de guerra. Com os números de feridos e mortos sempre a crescer, com alvos atingidos como escolas, hospitais e a única central elétrica de Gaza, é difícil de acreditar que esta ofensiva não tenha sido propositada. Se foi, então é um crime de guerra. É também difícil de acreditar que um país (Israel) com a capacidade militar de realmente escolher os seus alvos, tenha morto tantos civis.

      Porque é que a Amnistia Internacional não condenou o Hamas por disparar rockets sobre Israel?
RESPOSTA: A Amnistia Internacional condena o Hamas por disparar Rockets sobre Israel, colocando os civis em risco. A AI tem sistematicamente condenado a ação do Hamas e de grupos armados palestinos que queiram atingir civis indiscriminadamente, pois isso é um crime de guerra.

      O Hamas e grupos armados palestinos têm usado os civis como “escudos”, como as autoridades israelitas alegam?
RESPOSTA: Não temos provas que o Hamas ou outros grupos armados palestinos tenham avisado as pessoas para ficarem nas suas casas para serem usadas como escudos contra ataques. No entanto, sabemos que estes põem as pessoas em perigo ao armazenar armas ou disparar rockets de áreas residenciais. Mas lembrem-se que, mesmo que escudos humanos estejam a ser usados, de acordo com a lei internacional, Israel ainda tem a obrigação de proteger esses civis.

   Porque é que a Amnistia Internacional lhe chama um conflito? Não é isto uma ocupação de Gaza por Israel?
RESPOSTA: é um conflito, porque tem havido luta armada. Mas isso não quer dizer que Israel não tenha ocupado Gaza, porque o fez em absoluto, embora nem todos concordem. Nos últimos sete anos Israel tem imposto um bloqueio militar a Gaza, controla todas as entradas e saídas, a água, a costa marítima e o espaço aéreo. Israel restringe importações importantes como materiais de construção e proíbe a maioria das exportações. A ocupação de Gaza por Israel provocou uma crise humanitária, causada pelo ser humano, que atinge as vidas dos residentes de Gaza, por isso o bloqueio tem de ser levantado.

        O que é que a AI quer dizer quando fala de lei internacional?
RESPOSTA: Resumindo, nas leis de guerra, todos os que estiverem envolvidos em qualquer conflito armado, têm de fazer tudo o que puderem para evitar ferir civis. Portanto, ataques deliberados a casas, edifícios estratégicos como escolas, hospitais, edifícios governamentais é estritamente proibido. Neste sentido, usar armas que não têm capacidade para escolher com precisão os seus alvos contra áreas densamente povoadas de civis, sem diferenciar os civis dos alvos militares, é estritamente proibido.

        O que é que a AI tem feito realmente feito?
RESPOSTA: Apelamos a ambos os lados para respeitar as leis de guerra, para ajudar a manter a salvo pessoas não envolvidas na luta armada. Foi tão grave e chocante, que estamos a acionar lobbies para que o Tribunal Penal Internacional investigue os acontecimentos e estamos a construir um caso sólido para que os responsáveis por estas ações sejam julgados. Ao mesmo tempo, temos mobilizado milhares de ativistas à volta do mundo para garantir que os países parem de enviar armas a Israel e aos grupos armados da Palestina. Na verdade, um dos nossos focos de ação dirige-se aos Estados Unidos, que é o maior fornecedor de armas de Israel. Um embargo de armas seria um modo de os países enviarem uma mensagem realmente forte na qual se recusam a ser cúmplices deste horror que está a ocorrer em Israel e Gaza. 

Tradução: Virgínia Silva - membro do Grupo Local 6

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