Sírios detidos, defensores dos direitos humanos, relatam tortura

 Os novos relatórios de tortura surgem quando observadores da ONU testemunham onda de violência em toda a Síria.
© LOUAI BESHARA/AFP/Getty Images

Cresce a preocupação com três defensores dos direitos humanos detidos incomunicáveis ​​numa base militar perto de Damasco, com relatos de que possam estar a ser sujeitos a tortura continuada, diz a Amnistia Internacional.
Hani Zitani, Abd al-Rahman Hamada e Mansour al-Omari estão presos na cidade de al-Mo'damiya fora da capital, numa base mantida pela Quarta Divisão blindada, sob comando de facto do irmão Maher al-Assad do presidente sírio.
Outros três dos colegas aí detidos com eles de 19 de Março até 22 de abril foram levados perante um tribunal militar no domingo, onde alegaram que funcionários da Quarta Divisão blindada haviam torturado, inclusive com espancamentos, todos esses seis homens nesse período.
Os seis homens - prisioneiros de consciência acusados ​​de "terem uma gravação ilegal com vista a distribuirem publicações proibidas" – contam-se entre os 14 homens e mulheres presos em Fevereiro, durante uma incursão das forças de segurança ao Centro Sírio para os Media e a Liberdade de Expressão, em Damasco.
"Até agora, pouca informação está disponível sobre o bem-estar desses defensores dos direitos humanos, presos desde que foram visados em Fevereiro", disse Ann Harrison, delegada para o Médio Oriente e Directora do Programa para o Norte de África da Amnistia Internacional.
"Dada a gravidade destas novas alegações, apelamos às autoridades para dar aos detidos o acesso imediato a assistência médica adequada, se necessária, e garantir que eles estão protegidos contra a tortura ou outros maus-tratos.
"Como presos prisioneiros de consciência e detidos apenas pela defesa pacífica da liberdade de expressão, as autoridades sírias devem libertá-los imediata e incondicionalmente".
Ainda preso
Após a aparição em tribunal, no domingo, Bassam Al-Ahmad, Joan Fersso e Ayham Ghazoul foram transferidos para a Penitenciária Central de Damasco (prisão de ‘Adra), junto com cinco mulheres presas na operação em Fevereiro, que tinham sido anteriormente libertadas sob fiança.
Crê-se que Mazen Darwish, director do Centro Sírio para os Media e a Liberdade de Expressão, e o colega Hussein Gharir ainda estão detidos nos Serviços de Informação da Força Aérea, para onde foram levados após o ataque em Fevereiro.
O Sindicato dos Jornalistas da Síria na quarta-feira afirmou que Darwish sofria de um "estado de saúde a piorar" na prisão.
O Centro Sírio para os Media e a Liberdade de Expressão, uma organização que informa acerca de violações contra jornalistas e a imprensa e restrições indevidas à liberdade de expressão, foi fechada em 2009 pelas autoridades sírias e foi reaberto mais tarde sem aprovação do governo.
Violência em curso
As últimas notícias sobre os activistas de direitos humanos detidos em Damasco surge quando continuam confrontos armados e bombardeamentos em várias cidades sírias, apesar da presença de observadores da ONU destacados como parte de um acordo em 12 de Abril, negociado pelo enviado da Liga Árabe e ONU, Kofi Annan.
No início desta semana, o porta-voz de Annan disse que as pessoas que interagem com os observadores da ONU, aparentemente correm o risco de serem "perseguidas ou presas ou pior ainda, talvez mortas" por forças de segurança sírias.
A Amnistia Internacional está especialmente preocupada com recentes relatórios sobre a violência crescente em cidades sírias logo após a visita de observadores da ONU. A organização recebeu os nomes de 362 pessoas com relatos de terem sido mortas, desde que os observadores da ONU começaram a trabalhar na Síria a 16 de Abril.
A ONU votou a favor de aumentar o número dos observadores para 300, mas isto pode demorar semanas a implementar, a não haver pressão concertada para que tal aconteça.
"A tendência recente de violência a aumentar em cidades sírias, logo após observadores da ONU terem saído, salienta a necessidade de que seja posta em prática muito mais rapidamente uma missão mais robusta de observadores ", disse Harrison.
"A ONU deve actuar rapidamente a fim de estabelecer, à medida que as condições o permitam, uma presença sustentada mais vasta de observadores para verificarem se todos os aspectos do plano de Kofi Annan estão a ser respeitados. A menos que uma equipa com plenos recursos seja enviada com urgência, só se pode esperar que continue a haver violência e graves violações dos direitos humanos."

http://amnesty.org/en/news       2012-4-27

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