A Segregação Violenta dos Uigures - mais um segredo bem guardado da China.


A polícia chinesa anti-motim utilizou hoje gás lacrimogéneo para dispersar novos confrontos em Xinjiang, região chinesa de maioria muçulmana, entre a étnica dominante Han e 200 uigures que tinham saído à rua para protestar contra a detenção de 1434 pessoas. Há dois dias, os tumultos em Urumqi, capital da região, fizeram 156 mortos e 800 feridos.

Cerca de 200 uigures tinham saído à rua para protestar contra a detenção de 1434 pessoas, no seguimento dos confrontos de há dois dias. Muitos eram mulheres que brandiam os bilhetes de identidade dos maridos, irmãos ou filhos que dizem ter sido arbitrariamente detidos. “O meu marido foi levado ontem pela polícia. Não explicaram por que razão”, contou uma mulher chamada Maliya.

A multidão começou a marchar em direcção ao governo regional de Xinjiang, dizendo que o governo era demasiado fraco. “Têm estado a prender-nos sem razão nenhuma. Agora é a nossa vez de reagir”, declarou Abdul Ali, um homem uigur de 20 anos.

Um correspondente da BBC em Urumqi conta que a polícia anti-motim carregou sobre as mulheres que protestavam e rodeou-as. Mas estas sentaram-se no chão, desafiando as ordens da polícia para dispersar. Por fim, as mulheres começaram a abandonar o local quando os jornalistas foram empurrados para fora da zona. Não é claro o que aconteceu àquelas mulheres porque a polícia estava à sua espera de ambos os lados da rua.

Pouco depois, centenas de Hans armados com pedras, bastões e facas saíram à rua e dirigiram-se para o centro de Urumqi, em direcção à Praça do Povo. Pelo caminho danificaram lojas de uigures. No entanto, foram travados pela polícia anti-motim.

Quando estavam a ser dispersados, alguns disseram à AFP que pretendem regressar, mostrando a sua ira por terem sido alvo de violências cometidas contra a sua comunidade pelos uigures, etnia muçulmana maioritária na região de Xinjiang. “Somos apenas simples cidadãos que se querem defender”, contou um manifestante, Wang Li, com um bastão na mão. “Eles atacaram-nos. Agora é a nossa vez”, disse um manifestante à Reuters.

A agência Nova China conta que em vários bairros de Urumqi decorrem protestos semelhantes, onde pessoas correm em pânico. Muitas procuraram refúgio no hospital municipal e as lojas próximas dos tumultos estão encerradas.

Assim como o Tibete, Xinjiang é uma das regiões mais sensíveis do ponto de vista político da China e, em ambas, o Governo pretende manter o domínio ao controlar a vida religiosa e cultural, enquanto promete crescimento económico e prosperidade.

Este episódio de violência étnica é já considerado um dos piores confrontos no país entre civis e forças de segurança desde o massacre de Tiananmen, há 20 anos.

No domingo, membros da etnia uigur desafiaram as autoridades e saíram à rua para exigir investigações à morte de duas pessoas numa fábrica em Guangdong, no Sul da China, a 26 de Junho. Os uigures afirmam que o protesto foi pacífico; a polícia alega que aqueles estavam a atacar outros chineses.



Fonte: Público, 7 de Julho de 2009

Sem comentários: