Presidente sudanês contesta mandado do Tribunal Penal Internacional



O Presidente do Sudão, Omar Hassan Al-Bashir, rejeitou hoje de forma veemente o mandado de captura ontem emitido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

"O Sudão ergue hoje a sua voz. Vamos dizer aos colonialistas que não sucumbimos; não nos submetemos; não nos ajoelhamos; somos um alvo porque nos recusamos a submeter", disse o marechal de campo Al-Bashir perante milhares de compatriotas reunidos num protesto que foi organizado na cidade de Cartum, a capital.

"Somos leões e temos tigres. Continuaremos a rejeitar o colonialismo", acrescentou o homem que o TPI pretende deter por duas espécies de crimes de guerra e por cinco acusações de crimes contra a humanidade, cometidos no vasto território do Darfur, que ocupa a parte ocidental do Sudão.

Juntamente com o Conselho de Segurança das Nações Unidas e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o TPI tentar "colonizar de novo as pessoas e roubar os nossos recursos", prosseguiu o ditador. "Afirmam que os direitos humanos estão a ser violados no Sudão. Desafiamo-los a virem aqui e a mostrarem-nos o que é que aqui está a acontecer."

Pouco antes, numa reunião de destacados políticos e de ministros, o Presidente anunciara ter expulso 10 organizações estrangeiras, depois de ter detectado "actividades que estão em contradição com todos os regulamentos e leis".

Enquanto isto, a China, o maior dos seus apoios internacionais, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que oiça os apelos de países africanos e árabes e que suspenda o processo contra Bashir, o primeiro chefe de Estado no pleno exercício das suas funções a ser até hoje acusado pelo TPI de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

"A China opõe-se a qualquer acção que possa interferir com a situação pacífica no Darfur e no Sudão", disse Qin Gang, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros. E é sabido que Pequim compra a maioria do petrolóleo sudanês, sendo um dos mais importantes parceiros comerciais do regime de Cartum.

Quanto à ministra sul-africana dos Negócios Estrangeiros, Nkosazana Dlamini-Zuma, declarou que Pretória concorda com a opinião da União Africana (UA) segundo a qual a decisão do TPI quanto a Bashir "é lamentável e terá um impacto negativo nos actuais processos de paz no Sudão".

Por outro lado, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França manifestaram-se a favor do mandado de captura e a União Europeia pediu a Cartum que coopere plenamente com o TPI.

FONTE: Público, 5 de Março 2009
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367798&idCanal=11



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