Portugal "pode receber quatro a oito" detidos de Guantanamo

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O director da organização de direitos humanos britânica Reprieve, Clive Stafford Smith, defendeu hoje em Estrasburgo que Portugal pode receber entre quatro a oito detidos de Guantanamo a partir de Abril.

Clive Smith, que também é advogado de cerca de 30 detidos em Guantanamo, disse em conferência de imprensa que um grupo de 60 detidos sem culpa formada "precisa desesperadamente" do apoio dos países da União Europeia.

Os detidos "estão muito reconhecidos a Portugal" por ter sido o primeiro Estado-membro dos 27 a manifestar disponibilidade para os acolher, acrescentou o director da Reprieve.

Clive Stafford Smith esteve no Parlamento Europeu que quarta-feira deverá aprovar uma declaração política a pedir aos Estados-membros da UE para aceitarem receber detidos de Guantanamo.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 iniciaram a 26 de Janeiro último um debate, a pedido de Portugal, sobre a possibilidade de acolhimento nos países da UE dos detidos da base naval de Guantanamo como forma de ajudar o novo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a encerrar aquele centro de detenção em Cuba.

A medida afectará cerca de 60 dos 245 reclusos da base de Guantanamo que os EUA consideram inocentes, mas que por vários motivos não podem regressar aos seus países.

Para Clive Stafford Smith, Portugal poderá receber entre quatro e oito detidos a partir de Abril.

Mas os 27 estão divididos sobre a intenção de receberem os detidos da base naval de Guantanamo.
A decisão deverá ser tomada por cada um dos Estados-membros, estando alguns com receio, por exemplo, dos problemas de segurança e de livre circulação, dos agora detidos, em todo o espaço comunitário.

O director da Reprieve afirmou pensar que este é um falso problema visto que os países que ajudarem a resolver o problema terão menos probabilidade de serem alvo de ataques terroristas de eventuais extremistas.

Áustria e Bélgica já fizeram saber que consideram tratar-se de um problema interno dos EUA.
Outros, como Portugal, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Irlanda, França e Espanha, mostraram-se dispostos a receber os detidos, mas com algumas condições.

Portugal foi o primeiro Estado-membro da UE a responder favoravelmente, em Dezembro último, a uma série de contactos exploratórios feitos pela anterior administração norte americana junto de países europeus para saber da disponibilidade para receber detidos de Guantanamo.

Na altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, anunciou que Portugal estava preparado para ajudar o novo governo norte-americano no projecto de encerramento da prisão através do acolhimento de detidos e enviou uma carta aos homólogos europeus apelando a que fizessem o mesmo

FONTE: SIC, 03 FEV 2009 (http://sic.aeiou.pt/online/noticias/mundo/2009203+Portugal+pode+receber+quatro+a+oito+detidos+de+Guantanamo.htm)

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